Acesso prioritário disponível A História do Gravensteen
Os Condes de Flandres, o castelo que se tornou tribunal e prisão, e como Ghent salvou a sua grande fortaleza medieval.
O Gravensteen domina Ghent há mais de 800 anos e, por trás das suas paredes cinzentas, esconde-se uma história de condes poderosos, de uma fortaleza que sobreviveu ao seu propósito e se tornou tribunal e prisão, e de uma cidade que quase a perdeu e depois escolheu salvá-la. Este guia conta como o castelo surgiu, quem o construiu e porquê, e como se tornou no marco medieval que os visitantes sobem — e onde se riem a bom rir — hoje em dia.
Filipe da Alsácia e os Condes de Flandres
O Gravensteen — o 'castelo dos condes' — foi construído em 1180 por Filipe da Alsácia, Conde de Flandres, no local de fortificações anteriores de madeira e pedra que remontam ao século IX. Filipe conhecera os castelos dos cruzados na Terra Santa, e a nova fortaleza de pedra, com o seu fosso, muralhas e torre de menagem central, foi uma declaração deliberada do poder dos condes sobre Ghent, então uma das maiores e mais ricas cidades do norte da Europa. A partir do Gravensteen, os Condes de Flandres governavam, administravam justiça e, quando os ricos e rebeldes cidadãos de Ghent precisavam de um lembrete, afirmavam a sua autoridade.
Durante os seus primeiros séculos, o castelo foi a sede do poder condal, residência e fortaleza ao mesmo tempo. Mas à medida que os condes mudaram a sua corte para outros lugares e a cidade cresceu à sua volta, o papel militar do Gravensteen desvaneceu-se. Seguiu-se uma longa segunda vida que, no fim, é em grande parte o que confere ao castelo o seu carácter — e dá ao áudio-guia do comediante tanto material sombrio com que trabalhar.
Tribunal, Prisão, Casa da Moeda e Fábrica
Despojado do seu papel de sede do poder, o Gravensteen foi sujeito a uma série de usos mais duros. Tornou-se a sede do Conselho de Flandres e um tribunal, com uma prisão nas suas paredes e, segundo a tradição, um local de tortura e execução — a história mais sombria que a pequena exposição sobre justiça do castelo e o áudio-guia recordam. Mais tarde, serviu ainda como casa da moeda e, no século XIX, surpreendentemente, foi vendido e transformado numa fábrica, com habitações para operários amontoadas no seu interior e encostadas às suas muralhas medievais.
No final do século XIX, o castelo estava meio em ruínas e cercado pela indústria, e houve propostas para o demolir por completo. Que tenha sobrevivido deve-se a um resgate deliberado: a cidade de Ghent comprou o castelo e, por volta da viragem do século XX, limpou a fábrica e as habitações e empreendeu um grande restauro para o devolver a algo próximo da sua forma medieval. O Gravensteen que visita hoje é o resultado dessa decisão de salvar em vez de varrer.
O Castelo Hoje
Restaurado e gerido pela cidade de Ghent, o Gravensteen é hoje o marco medieval mais emblemático da cidade e um dos castelos mais completos do seu género na Flandres. Os visitantes atravessam o fosso, percorrem as muralhas, sobem à torre de menagem para apreciar a vista sobre o centro histórico e visitam a residência do conde — tudo com o áudio-guia gratuito narrado pelo comediante Wouter Deprez, cuja abordagem humorística da sangrenta história do castelo tornou a visita famosa por mérito próprio.
Vale a pena esclarecer uma coisa: o Gravensteen não é Património Mundial da UNESCO. O campanário medieval de Ghent está inscrito separadamente pela UNESCO como parte dos Campanários da Bélgica e França, mas trata-se de um monumento diferente, a poucos minutos a pé. A reputação do castelo assenta nos seus próprios méritos — oito séculos de história flamenga numa única fortaleza medieval quase completa, no coração de uma cidade viva, agora contada com um sorriso.
Perguntas frequentes
Quem construiu o Gravensteen?
Foi construído em 1180 por Filipe da Alsácia, Conde da Flandres, no local de fortificações anteriores. Ele tinha visto castelos cruzados na Terra Santa, e a fortaleza de pedra foi uma afirmação do poder dos condes sobre Ghent.
Quando foi construído?
O atual castelo de pedra data de 1180, embora tenham existido defesas de madeira e pedra anteriores no local, que remontam ao século IX. O Gravensteen que visita hoje reflete também uma grande restauração realizada por volta de 1900.
Para que foi usado o castelo ao longo dos séculos?
Começou por ser a sede dos Condes da Flandres, depois tornou-se tribunal e prisão de reputação sombria, mais tarde casa da moeda e, no século XIX, até fábrica — até que a cidade de Ghent o resgatou e restaurou.
Porque é que o Gravensteen esteve perto de ser demolido?
No final do século XIX, estava meio arruinado e cercado pela indústria, com uma fábrica e habitações construídas dentro das suas muralhas. Houve propostas para o demolir, até que a cidade de Ghent o comprou e restaurou por volta de 1900.
O Gravensteen é Património Mundial da UNESCO?
Não. O Gravensteen não é Património Mundial da UNESCO. O campanário de Ghent está inscrito separadamente como parte dos Campanários da Bélgica e França, mas esse é um monumento diferente. O castelo vale por si só, pelo seu próprio valor histórico.
Por que razão é o castelo famoso hoje em dia?
Por ser um dos castelos medievais mais completos da Flandres, no coração de uma cidade viva — e pelo seu áudioguia gratuito narrado pelo comediante Wouter Deprez, que conta a história sangrenta do castelo com humor e tornou a visita famosa.